Encontro no Colégio Zumbi dos Palmares reuniu estudantes, educadores, lideranças comunitárias e instituições parceiras
O Colégio Estadual de Tempo Integral Zumbi dos Palmares, no Beiru/Tancredo Neves, sediou, nesta quinta-feira (14), mais uma etapa de mobilização do Observatório Educacional Municipal (OEM), iniciativa conduzida pela Fundação Paulo Cavalcanti e pela Associação Mosaico de Amor, voltada ao fortalecimento da educação pública, da participação cidadã e da produção de inteligência territorial aplicada às políticas educacionais.
A oficina reuniu estudantes, professores, representantes universitários, gestores públicos e lideranças comunitárias para apresentação dos fundamentos técnicos e sociais do projeto, coordenado pelo professor Ney Campello. O Observatório Educacional Municipal do Beiru/Tancredo Neves pretende reunir dados, participação popular e escuta comunitária para apoiar políticas públicas mais conectadas à realidade do território.
Inteligência cidadã e participação popular
Durante o encontro, o presidente da Fundação Paulo Cavalcanti, Paulo Cavalcanti, destacou a importância da participação social na construção das transformações educacionais e comunitárias.
“É importante que cada um de vocês tenha a consciência de que o Brasil é da nossa conta, e que o seu futuro começa exatamente aqui, agora. Por isso, precisamos desenvolver inteligência cidadã, compreender dados, interpretar realidades, acompanhar políticas públicas e participar ativamente das transformações”, afirmou.
O diretor do Colégio Zumbi dos Palmares, Anderson Rosa, destacou o papel da escola como espaço de transformação.
“Cada um de vocês vai carregar no coração a ideia de que esta é uma escola de importância, uma escola que faz transformações. E colocar na consciência de cada um de vocês a ideia de que é um cidadão atuante, responsável e com discurso para melhorar ainda mais o convívio com seu bairro, com sua escola.”
Uma das embaixadoras do Observatório, a aluna do Colégio Zumbi dos Palmares, Mayara Santos reafirmou a importância da iniciativa para a comunidade estudantil.
“Agradeço este lugar de fala representando o colégio, me representando, representando todos vocês. Estamos aqui para poder discutir, dividir opiniões e sermos a via da transformação.”
Educação sistêmica e transformação territorial
O educador e líder comunitário Jean Santos ressaltou o impacto social da iniciativa para o território.
“O quanto é bom falar sobre via cidadã, sobre transformação, na qualidade de um homem preto, de um morador do bairro do Beiru/Tancredo Neves, de um pai de muitos filhos biológicos e sociais, na música, no Anjos Bike e tantos outros projetos. Este observatório nos alegrar porque de fato existe uma perspectiva de transformação. Nós somos gente e agente de transformação.”
A presidente do Conselho Municipal de Educação, Adenildes Teles, destacou a importância do OEM para a construção do novo Plano Municipal de Educação.
Principalmente em 2026, ano que estamos construindo o Plano Municipal de Educação para 2026 a 2036. Esses dados precisam estar nas discussões, na construção desse documento. Não se pode elaborar um plano sem famílias, sem estudantes.”
Representando a UNEB, Ana Vitória Silva, subgerente de Pesquisa e Ensino de Pós-Graduação, afirmou que “os grupos de pesquisa nascem de observatórios como esse, dentro das escolas públicas. Desejo que, mais do que um espaço de escuta, este seja um espaço de transformação, um espaço para que vocês possam galgar vários sonhos e conquistas.”
Já a dirigente do NTE 26, Maria de Fátima Costa, leu carta da Secretaria Estadual de Educação reconhecendo o OEM “como instrumento de vanguarda no controle social”, e destacando que a sua iniciativa de “transformar dados estatísticos em ações pedagógicas e comunitárias diretas dialoga perfeitamente com as diretrizes do Estado para uma gestão democrática, inclusiva e participativa.”
Na apresentação técnica, o professor Ney Campello defendeu uma visão sistêmica da educação.
“Só se pensa em educação de maneira sistêmica se tiver observação sistemática. Um olhar em que todos refletem sobre o mesmo fenômeno, que é o fenômeno que a gente chama de ensino e aprendizagem. O fenômeno de ensinar e de aprender, que é dialético. Quem ensina aprende e quem aprende ensina”.