Reprise especial do podcast É da nossa conta! celebra a trajetória do empresário e “mestre” do associativismo que dedicou cinco décadas ao desenvolvimento econômico, à inovação sustentável e ao fortalecimento das instituições baianas
No último sábado, 08 de agosto, a Bahia despediu-se de uma de suas lideranças mais proeminentes: Wilson Andrade. Em uma homenagem especial, o programa É da Nossa Conta! reapresentou nesta segunda-feira (10), o episódio trazendo um mergulho na trajetória deste homem que Paulo Cavalcanti descreve como um “mestre” e um “craque” do associativismo, com mais de 50 anos de história na Associação Comercial da Bahia (ACB), onde, entre 1981 e 1985, aos 32 anos, consagrou-se como o presidente mais jovem nos 215 anos de história da centenária instituição.
Wilson manteve seu compromisso com a entidade ao longo de cinco décadas, servindo mais recentemente como presidente do Conselho Superior entre 2019 e 2025, posição na qual exerceu seu papel de orientador e conciliador, compartilhando o aprendizado acumulado na convivência com grandes líderes empresariais e inspirando as novas gerações
Wilson Andrade não foi apenas um empresário; ele foi um articulador global. No cenário internacional, ocupava o cargo de vice-presidente do Conselho Consultivo do Fundo Comum de Commodities, um braço da ONU sediado em Amsterdã que financia projetos de desenvolvimento em 104 países. Sua atuação estendia-se à Organização Mundial de Fibras Naturais e ao grupo intergovernamental da FAO. Durante 16 anos, serviu como Cônsul da Finlândia na Bahia e Sergipe, sendo honrado com o título de Cônsul Emérito, uma distinção vitalícia.
Uma visão de futuro: da madeira à educação
Como diretor executivo da Associação Baiana de Empresas à Base de Florestal (ABAF), Wilson era um fervoroso defensor da “revolução verde”. Ele acreditava no potencial da madeira para substituir produtos fósseis e até mesmo aço e cimento na construção civil, destacando que a produtividade das florestas plantadas no Brasil supera em muito a de países como a própria Finlândia.
Sua experiência consular trouxe-lhe uma profunda admiração pelo modelo social escandinavo. Wilson frequentemente citava a Finlândia como exemplo de que a educação pública de qualidade é o verdadeiro motor da igualdade, onde o filho do porteiro e o filho do empresário têm as mesmas oportunidades de crescimento. Para ele, o imposto pago pelo cidadão deveria ter como contrapartida direta a eficiência em serviços essenciais como saúde e segurança.
Cidadania e projetos sociais
Wilson Andrade via no associativismo a ferramenta para transformar o país. Entre suas propostas mais marcantes estava o projeto “Minha Roça, Minha Vida”, uma adaptação do programa habitacional federal voltada para a reforma agrária. Sua ideia era entregar assentamentos já estruturados, com infraestrutura e títulos de propriedade, para que os trabalhadores pudessem de fato produzir e prosperar.
Sua trajetória começou cedo, vindo do interior para Salvador aos 13 anos para trabalhar e estudar contabilidade e, posteriormente, economia.
“Pau na Máquina e Keep Working”
Aos 77 anos, Wilson mantinha uma vitalidade invejável e um otimismo pragmático. Sua mensagem final para a classe empresarial e para os jovens foi de resiliência: “keep working” (continue trabalhando) e o tradicional bordão de Paulo Cavalcanti, “pau na máquina”. Ele defendia que, apesar das polarizações políticas, a sociedade deve se unir para cobrar eficiência e exercer a democracia todos os dias.
Wilson Andrade deixa um legado de construção efetiva, inteligência cidadã e um amor profundo pelo desenvolvimento sustentável da Bahia e do Brasil. O episódio especial do É da Nossa Conta! é um convite para relembrar a mente brilhante de um homem que tratava suas grandes responsabilidades com alegria e o desejo inabalável de fazer um país melhor.