É da nossa conta! Gabriel Cerqueira e União Baiana ampliam espaço do futsal para pessoas com nanismo na Bahia

Por: Fundação Paulo Cavalcanti

10/06/2026

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É da nossa conta! Gabriel Cerqueira e União Baiana ampliam espaço do futsal para pessoas com nanismo na Bahia

Paulo Cavalcanti conversa com atleta da seleção brasileira e presidente da Associação Baiana de Futsal de Pessoas com Nanismo sobre visibilidade, inclusão, organização social e os desafios para disputar a Copa do Mundo de 2026, no Marrocos

O episódio 95 do podcast É da Nossa Conta!, que foi ao ar nesta segunda-feira (08), reuniu o atleta Gabriel Cerqueira e o presidente da Associação Baiana de Futsal de Pessoas com Nanismo, Edson Cerqueira, para um debate com Paulo Cavalcanti sobre o crescimento da modalidade na Bahia, os desafios enfrentados pelos atletas e a importância da organização da sociedade civil para ampliar oportunidades e garantir visibilidade ao esporte.

Primeiro atleta baiano convocado para a Seleção Brasileira de Futsal de Pessoas com Nanismo, Gabriel participou da Copa América disputada no Paraguai e integra o grupo que se prepara para a Copa do Mundo, marcada para novembro, em Marrocos. Durante a conversa, ele destacou o significado da experiência internacional.

“Foi maravilhoso, uma sensação incrível. Graças a Deus a gente conseguiu o terceiro lugar lá”, afirmou.

Além da convocação para a seleção, Gabriel também integra a União Baiana, primeira equipe do estado voltada exclusivamente para atletas com nanismo. A iniciativa nasceu após a participação na competição continental, quando pai e filho identificaram a ausência de equipes suficientes para absorver novos jogadores.

“A gente viu uma possibilidade, porque tinha vários atletas que não estavam conseguindo se encaixar nos times e os times já estavam com a lotação máxima. Então eu e meu pai vimos a oportunidade de criar o time aqui da Bahia”, explicou Gabriel.

Organização e participação para criar oportunidades

A criação da União Baiana acabou se transformando em um passo além da formação esportiva. Segundo Edson Cerqueira, a experiência vivida no Paraguai revelou a necessidade de construir uma estrutura permanente que permitisse reunir atletas, promover competições e ampliar a representação do segmento.

“A gente precisa identificar o problema, resolver esse problema e efetivamente trabalhar em cima dele. Foi o que eu fiz. Pensei: como posso resolver isso? Foi quando tive a ideia de fazer a Associação Baiana de Futsal de Pessoas com Nanismo e, dentro da associação, criar o time União Baiana”, relatou.

O resultado veio rapidamente. Com apenas dois meses de existência e pouco tempo de treinamento coletivo, a equipe conquistou o terceiro lugar na Copa do Brasil da modalidade, disputada no Rio de Janeiro.

“Conseguimos o terceiro lugar com 45 minutos de treino e dois meses de criação”, destacou Edson.

Ao comentar a iniciativa, Paulo Cavalcanti relacionou a experiência ao conceito de Inteligência Cidadã e à importância da participação social organizada.

“Você precisa expressar a sua vontade no coletivo. A sociedade civil organizada precisa ter voz”, afirmou.

Inclusão, visibilidade e novos desafios

Ao longo do episódio, Gabriel defendeu uma visão de inclusão baseada na convivência e na ocupação dos espaços comuns da sociedade.

“Pessoas que possuem qualquer tipo de deficiência querem se sentir incluídas na sociedade. A gente quer que todo mundo viva numa equidade, viva na mesma sociedade tranquilamente”, disse.

Para ele, um dos principais obstáculos ainda é a falta de visibilidade do esporte adaptado. Embora o Brasil tenha atletas competitivos, a modalidade enfrenta dificuldades para obter patrocínio e apoio institucional.

“O Brasil só precisa de apoio. Atletas de qualidade nós temos. Tem mais de 500 atletas”, observou.

Edson reforçou que o reconhecimento ainda é limitado até mesmo entre órgãos ligados ao esporte.

“Fui na Secretaria de Esporte aqui da Bahia e eles nem conheciam que existia esse esporte de pessoas com nanismo”, relatou.

A preocupação agora está voltada para a preparação da seleção brasileira para a Copa do Mundo. Segundo os convidados, a falta de recursos compromete treinamentos, deslocamentos e a própria participação da equipe na competição.

Apesar dos desafios, Gabriel acredita que o fortalecimento da modalidade passa pela ocupação de espaços e pela construção de referências positivas.

“Não se esconder. Todos nós temos defeitos. Você tem que aparecer, ocupar seu espaço. Se você não ocupar o seu espaço, você não vai ter aquela conquista que sempre sonhou. Meu sonho era ser jogador de futebol e hoje sou atleta da seleção brasileira”, afirmou.

A trajetória da União Baiana também conta com o apoio da Fundação Paulo Cavalcanti e do Movimento Via Cidadã, parceiros da iniciativa desde seus primeiros passos. Durante a gravação do episódio, Gabriel e Edson Cerqueira vestiam camisas com as logomarcas das duas instituições, que vêm contribuindo para ampliar a visibilidade do projeto e fortalecer sua atuação em defesa da inclusão, da participação social e da cidadania.
Encerrando o episódio, Paulo Cavalcanti destacou que iniciativas como a União Baiana contribuem para ampliar a participação cidadã e tornar mais visíveis grupos que historicamente tiveram poucas oportunidades de representação.

“Através da associação, através de você unir grupos que pensam pelo mesmo interesse, você consegue expressar para quem está governando aquilo que precisa ser transformado”, concluiu.

O episódio 95 do podcast É da Nossa Conta! pode ser conferido na integra nos seguintes canais:

YouTube: https://youtu.be/lBauanD0QUw

Spotify: https://open.spotify.com/episode/5my5CBR2eSMz5z7et0J1D5