Em conversa com o professor e advogado constitucionalista Carlos Rátis, Paulo Cavalcanti defende uma grande mobilização nacional pela consciência cidadã, pelo fortalecimento das entidades associativas e pela valorização da educação como instrumento de mudança social
O novo episódio do podcast É da Nossa Conta!, exibido nesta segunda-feira (15), reuniu o empresário e escritor Paulo Cavalcanti e o professor de Direito Constitucional da UFBA, advogado e futuro presidente do Rotary Club da Bahia, Carlos Rátis, em uma conversa marcada por reflexões sobre cidadania, educação, democracia participativa e os desafios enfrentados pelo Brasil na construção de uma sociedade mais consciente e comprometida com o interesse coletivo.
Ao longo de quase uma hora de diálogo, o programa percorreu temas que vão da Constituição Federal ao impacto da inteligência artificial, passando pelo papel das escolas, das entidades associativas e da participação popular na consolidação da democracia.
Para Carlos Rátis, a cidadania só se torna efetiva quando o cidadão compreende não apenas os seus direitos, mas também os seus deveres.
“Como podemos falar em cidadania participativa se nós não efetivamente denunciarmos irregularidades, se não conhecermos instrumentos como a ação popular? A cidadania participativa depende de cidadãos preparados, de cidadãos que conheçam seus direitos e também seus deveres”, afirmou.
A reflexão encontrou eco na visão defendida por Paulo Cavalcanti em seus livros sobre consciência cidadã e participação social.
“Se o cidadão não assumir a sua responsabilidade, não entender que o poder foi transferido para o povo, para o coletivo, ele não conseguirá exercer a sua parcela de soberania. Para transformar a realidade, é preciso participar”, destacou.
Associativismo como ferramenta de transformação
Um dos pontos centrais da conversa foi o papel das entidades associativas na formação de cidadãos mais preparados para a vida pública.
Rátis defendeu que organizações como o Rotary têm uma missão que vai além da prestação de serviços comunitários.
“As entidades associativas têm um papel crucial no exercício da solidariedade educacional. Precisamos ajudar as pessoas a se prepararem, a compreenderem seus direitos e deveres, a se aproximarem da Constituição e da vida pública.”
A partir dessa visão, surgiu durante o episódio a proposta de uma aproximação entre o Rotary Club da Bahia e a Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Bahia (FACEB), atualmente presidida por Paulo Cavalcanti.
Segundo ele, o associativismo brasileiro precisa recuperar seu lugar nas grandes discussões nacionais.
“Nós nos fragmentamos demais. Cada entidade passou a olhar apenas para o seu segmento e nos afastamos das pautas estruturantes do país. Precisamos voltar a discutir cidadania, educação, participação e desenvolvimento como temas de interesse comum.”
Para Cavalcanti, o Brasil carece de uma ampla mobilização social voltada ao fortalecimento da consciência cidadã.
“Precisamos de uma campanha nacional de massa para mostrar ao brasileiro que ele pode transformar a realidade. O povo precisa conhecer a Constituição, entender seus direitos, seus deveres e perceber que participar vale a pena.”
Educação, inteligência artificial e os desafios do futuro
O debate também abordou o impacto da inteligência artificial nas relações profissionais e educacionais.
Carlos Rátis alertou para a necessidade de equilibrar inovação tecnológica e formação humanística.
“Não se trata de rejeitar a tecnologia. O problema é permitir que a inteligência artificial substitua capacidades humanas essenciais. Precisamos preparar as pessoas para utilizar essas ferramentas com responsabilidade, ética e senso crítico.”
Paulo Cavalcanti concordou que a transformação digital é inevitável, mas chamou atenção para desafios ainda mais profundos.
“Antes da inteligência artificial, existe um problema na base. Temos uma crise educacional séria. Precisamos valorizar professores, melhorar a formação e reconstruir a relação entre escola, conhecimento e cidadania.”
Ao final da conversa, ambos convergiram para uma mesma conclusão: o futuro do país depende menos de soluções externas e mais da capacidade de seus cidadãos e instituições de trabalharem juntos em torno de objetivos comuns.
Em sua despedida, Carlos Rátis resumiu o espírito do encontro ao defender uma atuação mais presente das organizações da sociedade civil.
“As entidades associativas unidas são muito mais fortes. Juntas, podem oferecer formação, conhecimento e oportunidades. É assim que construímos uma cidadania participativa capaz de gerar impacto duradouro.”
Já Paulo Cavalcanti encerrou reforçando a necessidade de uma mudança cultural profunda.
“O Brasil precisa de mais consciência, mais participação e mais responsabilidade. Mudar uma cultura não é simples, mas é possível. E toda grande transformação começa quando as pessoas entendem que também são parte da solução.”
O episódio 96 do podcast É da nossa conta pode ser conferido aqui: