Vice-presidente do Conselho de Portos da FIEB, Sérgio Faria defende fortalecimento da economia, maior participação empresarial e mudança na relação entre setor produtivo, Estado e sociedade
O papel do empresário no desenvolvimento do país, a necessidade de fortalecer o associativismo e a participação da classe produtiva nas decisões nacionais estiveram no centro do episódio 106 do podcast É da Nossa Conta!, que foi ao ar nesta segunda-feira, 24 de agosto. Conduzido por Paulo Cavalcanti, o programa recebeu Sérgio Faria, engenheiro, empresário do setor de logística e atividade portuária e vice-presidente do Conselho de Portos da FIEB.
Professor universitário durante 25 anos e autor de 15 livros, Faria também integra a diretoria plenária da Associação Comercial da Bahia e preside a Academia de Letras e Artes de Salvador. Na conversa, ele defendeu que a atuação profissional e empresarial deve ultrapassar os interesses individuais e incorporar uma dimensão coletiva.
“Em tudo o que a gente faz na vida, tem um sentido coletivo. Qualquer que seja a sua profissão, qualquer que seja a sua atividade empresarial, você pode dar uma conotação mais ampla do que somente o seu horizonte”, afirmou Sérgio.
Do empresário individual à força coletiva
Um dos principais pontos do debate foi a imagem do empresário na sociedade e a dificuldade do próprio setor produtivo de construir uma representação coletiva mais forte. Para Sérgio, tanto a visão social sobre o empresariado quanto antigas práticas empresariais precisam evoluir. Ele reconheceu as mudanças nas relações de trabalho, mas ressaltou que reclamar das dificuldades impostas ao setor não é suficiente.
“Reclamar não basta. Reclamar é um pouco até de comodismo. Eu preciso procurar articulação, criar uma rede de participação para que esta voz do empresário seja ouvida”, disse. Segundo ele, o desenvolvimento econômico depende de um setor produtivo fortalecido, ao mesmo tempo em que o empresário precisa ampliar sua consciência sobre as responsabilidades que possui perante a sociedade.
Paulo Cavalcanti levou a discussão para o associativismo. Para ele, a fragmentação das entidades empresariais reduz a capacidade de influência da classe produtiva sobre pautas comuns, como reforma administrativa, educação, inovação, produtividade, segurança jurídica e redução do chamado Custo Brasil. Sua defesa é de uma convergência capaz de transformar a capilaridade das entidades em participação efetiva.
“A classe produtiva precisa mudar o método e entender que tem que despertar o sentimento de pertencimento, unidade e trazer esses pequenos empresários para dentro das associações”, afirmou Paulo.
Produção de riqueza e responsabilidade social
A discussão avançou também sobre o tamanho do Estado, a legislação aplicada às pequenas empresas e o papel do lucro na atividade econômica. Sérgio sustentou que o empresário não deve tratar a busca pelo resultado econômico como algo incompatível com sua função social.
“O empresário precisa primeiro deixar de ter vergonha de ser empresário. Ganhar dinheiro não é ruim, desde que você ganhe dinheiro honestamente, desde que você cumpra sua função social”, destacou. Para ele, “o melhor programa social que qualquer governo pode defender é fortalecer a economia”, criando condições para ampliação da riqueza e das oportunidades.
Paulo reforçou que essa defesa não elimina a responsabilidade social das empresas. “A classe produtiva tem a responsabilidade, a corresponsabilidade de cuidar da cidadania, de cuidar do bem-estar social”, afirmou, relacionando essa atuação à função social prevista na Constituição.
Ao final, os dois convergiram em torno de uma ideia que atravessou o episódio: mudanças dependem menos da reclamação isolada e mais de participação, organização e disposição para rever métodos. Em uma síntese do espírito da conversa, Sérgio definiu: “Tem que ser otimista sem ser ingênuo”.