Reconhecimento destaca trajetória de Cris Santos na promoção da educação cidadã, da inclusão produtiva e do fortalecimento da democracia participativa
A diretora executiva da Fundação Paulo Cavalcanti, Cris Santos, foi uma das homenageadas na segunda edição do Prêmio Tereza de Benguela, realizada na noite desta quarta-feira (29), no Cine Teatro de Lauro de Freitas. Idealizada pela vereadora Luciana Tavares, a iniciativa reconhece mulheres que se destacam pela contribuição ao desenvolvimento social, à promoção da cidadania, à igualdade racial e ao fortalecimento de suas comunidades.
Integrando a programação do Julho das Pretas, a premiação homenageia a memória de Tereza de Benguela, líder do Quilombo do Quariterê, cuja trajetória permanece como referência de resistência, liderança e compromisso com a liberdade e a justiça social.
A cerimônia reuniu mulheres de diferentes áreas de atuação, entre elas lideranças evangélicas, representantes das religiões de matriz africana, quilombolas, cozinheiras, jornalistas, gestoras públicas, empresárias, advogadas, educadoras, ativistas sociais, empreendedoras, profissionais da saúde e integrantes de organizações da sociedade civil, reconhecidas pelo impacto de seu trabalho na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Ao receber a homenagem, Cris Santos afirmou que a distinção representa “um chamado à responsabilidade”. Em seu pronunciamento, destacou que o legado de Tereza de Benguela demonstra que mulheres negras sempre exerceram papéis de liderança e organização social, mesmo quando a história insistiu em invisibilizar suas contribuições.
A diretora executiva também reafirmou a educação como instrumento de transformação social e fortalecimento da cidadania. Segundo ela, o conhecimento amplia oportunidades, fortalece comunidades e contribui para o aperfeiçoamento da democracia.
Ao apresentar parte do trabalho desenvolvido pela Fundação Paulo Cavalcanti, Cris destacou iniciativas voltadas à educação cidadã, à inclusão produtiva e ao fortalecimento institucional. “Vejo mulheres que chegam desacreditadas e descobrem que podem empreender. Vejo jovens que passam a compreender seus direitos. Vejo comunidades que deixam de esperar soluções e passam a construí-las coletivamente. Essa transformação é o que move a minha vida”, afirmou.
Em outro momento do discurso, chamou atenção para a necessidade de ampliar a participação feminina nos espaços de decisão, especialmente das mulheres negras, que permanecem sub-representadas nas instâncias de poder, apesar de constituírem uma parcela expressiva da população brasileira.
Ao encerrar sua fala, Cris Santos afirmou que homenagens como o Prêmio Tereza de Benguela simbolizam o reconhecimento de mulheres que abrem caminhos para outras mulheres e reforçam o compromisso coletivo com uma sociedade mais democrática, inclusiva e participativa. “Ela não esperou que lhe entregassem poder. Ela construiu poder com coragem, inteligência e comunidade”, concluiu, ao lembrar a trajetória da líder quilombola que inspira a premiação.