Café com Elas reúne mulheres na UFBA e destaca autonomia econômica no enfrentamento à violência

Por: Fundação Paulo Cavalcanti

24/08/2026

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Com apoio da Fundação Paulo Cavalcanti, terceira edição do encontro promoveu debates sobre empreendedorismo, geração de renda, redes de apoio e enfrentamento à violência contra a mulher

Mulheres de diferentes bairros de Salvador e de municípios da Região Metropolitana se reuniram, no último sábado (22), na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (FACOM-UFBA), para a terceira edição do Café com Elas – Mulheres em Diálogo. Realizado pela Frente Nacional de Negros e Negras (FNN), com apoio da Fundação Paulo Cavalcanti, o encontro integrou a programação do I Seminário de Mulheres da FNN.

Com o tema “Empreendedorismo Feminino: Autonomia, Transformação e Enfrentamento à Violência contra a Mulher”, a iniciativa reuniu debates, espaços de escuta e acolhimento, apresentação de empreendedoras e atividades culturais. A programação fez parte das mobilizações do Agosto Lilás.

Diretora executiva da Fundação Paulo Cavalcanti, Cris Santos destacou a relação entre autonomia econômica e enfrentamento à violência financeira. “Uma vez que a gente capacita a mulher para empreender, não por sobrevivência, mas para ter um negócio sustentável, ela consegue ter renda e quebrar um ciclo de violência, que é a violência financeira”, afirmou.

O presidente da FNN, Alex Pantera, ressaltou a diversidade de experiências reunidas no encontro e a importância do acolhimento e da articulação entre mulheres. “Diversas mulheres, de diversos lugares, com atuação multidisciplinar, trazem para esse espaço a sua vivência, o seu trabalho, a sua atuação e, principalmente, a sua luta”, afirmou. Para ele, a iniciativa contribui para que as participantes encontrem apoio umas nas outras e ampliem sua presença nos diferentes espaços da sociedade.

Empreendedorismo e transformação

Um dos exemplos apresentados durante o encontro foi o de Carolina Guimarães, empreendedora participante do Projeto Marsúpio, iniciativa realizada pela Fundação Paulo Cavalcanti. Ela relatou como a formalização contribuiu para o desenvolvimento do seu negócio e para ampliar suas perspectivas profissionais.

“A gente, enquanto informal, não é visível para a sociedade. A partir do momento que tem o CNPJ, consegue ter voz, consegue ser vista”, afirmou Carolina. A empreendedora contou que anteriormente comercializava seus produtos em uma banca e que hoje possui um ponto fixo no Subúrbio Ferroviário de Salvador.

A relação entre geração de renda e autonomia também esteve presente na fala da advogada Larissa Pinheiro, que atua na defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento à violência de gênero. Para ela, o empreendedorismo pode contribuir para que mulheres tenham condições materiais de romper ciclos de violência, especialmente quando acompanhado por redes de apoio e circulação de informações.

“Estamos discutindo estratégias de enfrentamento à violência contra a mulher e também empreendedorismo, que é um fator essencial para que nós tenhamos mulheres com fonte de renda, conseguindo inclusive se retirar do ciclo de violência”, destacou Larissa. Ela também defendeu que as conexões estabelecidas no encontro continuem por meio das redes sociais, da comunicação e da divulgação dos trabalhos desenvolvidos pelas próprias participantes.

A auditora-fiscal e delegada da Alfândega da Receita Federal em Salvador, Sandra Magnavita, ressaltou que a independência financeira representa uma dimensão importante da liberdade das mulheres. “Empreendedorismo não é só dinheiro, é libertação”, afirmou. Ela ponderou, entretanto, que o enfrentamento às relações abusivas exige também coragem e uma rede capaz de apoiar as mulheres nesse processo.

A diretora de sustentabilidade da Associação Mulheres do Mar (AMMAR), Jaqueline Moreno, destacou justamente a formação dessas redes. Ao relatar sua aproximação com o Café com Elas, ela lembrou que passou a participar da iniciativa a convite de Cris Santos e que, nesta edição, também levou outras mulheres para integrar o encontro. “Aqui tem toda uma rede que se conectou”, resumiu.

Também participante da programação, Charlene Silva, presidente da Associação Todos Por Um Só Objetivo, compartilhou sua própria trajetória de superação e levou ao público uma mensagem de incentivo. “Hoje eu digo: eu sou uma mulher realizada. E digo para vocês, mulheres: vocês são capazes de fazer qualquer coisa. Vocês são capazes de vencer”, declarou.

Café com Elas nos territórios

Coordenadora nacional de Mulheres da Frente Nacional de Negros e Negras, Rebeca Barbosa destacou que a proposta é ampliar o alcance do Café com Elas e aproximar a iniciativa das comunidades de Salvador.

Segundo ela, o encontro busca funcionar como espaço de escuta, acolhimento e conexão entre mulheres que já desenvolvem ações em seus territórios. “A gente consegue perceber que na cidade de Salvador tem muitas instituições, muitas associações criadas por mulheres que fazem uma transformação dentro do seu território”, afirmou.

Para a Fundação Paulo Cavalcanti, o apoio ao Café com Elas se soma às iniciativas voltadas ao fortalecimento da cidadania, da autonomia e do empreendedorismo, aproximando formação, geração de oportunidades e atuação comunitária.

A terceira edição terminou reforçando justamente essa perspectiva: fazer das conexões construídas durante o encontro uma rede capaz de permanecer ativa para além daquela manhã, ampliando oportunidades e fortalecendo mulheres em seus próprios territórios.