A noite de 9 de dezembro, em Lages, Santa Catarina, marcou o fechamento de um ciclo simbólico: os 85 anos da Associação Empresarial de Lages (ACIL). Um capítulo que não terminou em festa, mas em reflexão. Exatamente como o associativismo sempre faz quando se leva a sério o papel de mover a sociedade para frente.
Além de relembrar as ações que definiram o ano da entidade catarinense e reforçar a importância do trabalho conjunto do sistema de associações comerciais do país, o presidente da ACIL, Antonio Wiggers, não poupou palavras ao comentar a presença do palestrante:
“Para encerrar o ciclo de comemorações pelos 85 anos da ACIL, foi espetacular contarmos com a palestra de Paulo Cavalcanti. Eu o conheci em um evento da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em Santos, e convidei-o imediatamente para vir até a nossa cidade. É uma grande referência que sai de Salvador, na Bahia, e espero vê-lo de novo trazendo temas como esses.”
A palestra de Paulo Cavalcanti — escritor, advogado, presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia e coordenador da Comissão Nacional de Articulação da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil — girou em torno da ideia de Inteligência Cidadã: a capacidade de compreender o país para além dos slogans, identificar os verdadeiros gargalos e assumir responsabilidade individual e coletiva na transformação do ambiente de negócios e da democracia.
Wiggers resumiu o espírito da noite: a presença de Paulo e a participação ativa dos associados criaram “esse sentimento de tentar mudar”. A frase não é mero entusiasmo. Toca num ponto que Paulo martela em suas falas: se já sabemos onde estão os bloqueios, por que seguimos hesitando em superá-los?
A resposta, segundo o escritor e palestrante, passa por três pilares que se encontram no associativismo: organização, educação cívica e ação coordenada.
Em Lages, a síntese veio sem floreios: associativismo como motor, cidadania como disciplina e inteligência cidadã como horizonte possível.
“Nada de soluções mágicas. Apenas método e o lembrete incômodo mas necessário de que a transformação começa quando cada cidadão decide sair da plateia, abandonar a posição confortável do espectador e assumir seu papel na construção do país”, convoca Cavalcanti.
Uma noite produtiva, como disse Wiggers. E, para muitos ali, um ponto de virada.