É da Nossa Conta: Isadora Raymond destaca força do empreendedorismo feminino e do associativismo nos Estados Unidos

Por: Fundação Paulo Cavalcanti

21/10/2026

Compartilhe nas redes sociais

No episódio 113 do podcast É da Nossa Conta!, que estreou na segunda-feira (19), empresária baiana compartilha sua trajetória de superação e conversa com Paulo Cavalcanti sobre autonomia econômica, redes de apoio e consciência cidadã

Da venda de pastéis para custear os estudos em Salvador à atuação como empresária e dirigente de uma entidade empresarial nos Estados Unidos, a trajetória de Isadora Raymond foi o destaque do episódio 113 do podcast É da Nossa Conta!, apresentado por Paulo Cavalcanti e lançado na segunda-feira (19). Fundadora da CDLE Mulher e diretora da Câmara de Comércio Brasileira em Boston, a convidada falou sobre empreendedorismo feminino, enfrentamento à violência doméstica e a importância do associativismo na transformação de vidas.

Nascida e criada no Largo Dois de Julho, em Salvador, Isadora começou a trabalhar ainda adolescente para financiar sua formação no magistério. Vendeu pastéis e banana real na escola, realizou pequenos serviços e conseguiu ingressar no curso de Pedagogia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Tornou-se professora, coordenadora pedagógica e servidora pública municipal, até decidir recomeçar a vida nos Estados Unidos, após enfrentar um relacionamento marcado pela violência doméstica.

“Cheguei aos Estados Unidos com 300 dólares no bolso e desconstruí tudo o que era no Brasil”, contou. Nos primeiros anos, trabalhou com limpeza de residências, bancos, restaurantes e academias, enquanto buscava qualificação para empreender.

Do recomeço à liderança feminina

Radicada há dez anos nos Estados Unidos, Isadora construiu sua atuação empresarial por meio da IR Solutions, que oferece consultoria de negócios, assessoria em documentação consular e apoio à internacionalização de empresas brasileiras. Também passou a integrar a Câmara de Dirigentes Lojistas e Empreendedores (CDLE), onde participou da criação da CDLE Mulher.

A iniciativa desenvolve ações voluntárias de incentivo ao empreendedorismo feminino, capacitação e formação de redes de apoio, inclusive permitindo que as participantes levem seus filhos aos encontros.

“É um movimento voluntário e legítimo para encorajar e capacitar mulheres a empreenderem”, explicou Isadora, que também atua como voluntária na organização MAPS, no enfrentamento à violência doméstica.

Em setembro, a empresária recebeu em Nova York o Prêmio Luiza Brunet, pelo trabalho desenvolvido na proteção e no fortalecimento das mulheres. Entre suas iniciativas está a elaboração, em parceria com o Consulado-Geral do Brasil em Boston, de uma cartilha de enfrentamento ao assédio moral e à exploração feminina no ambiente de trabalho.

Associativismo e consciência cidadã

Durante a conversa, Paulo Cavalcanti relacionou a experiência de Isadora à proposta de consciência cidadã participativa defendida pelo podcast e pela Fundação Paulo Cavalcanti. Para ele, a autonomia econômica, a educação e a organização coletiva são instrumentos fundamentais para que as pessoas reconheçam sua capacidade de transformar a própria realidade.

“A gente precisa compreender que não basta cuidar apenas da própria vida ou do próprio negócio. O associativismo, as cooperativas e a união de classe são o caminho para ter voz num Estado Democrático de Direito. Isso é consciência cidadã”, destacou Cavalcanti.

O apresentador também ressaltou a importância da trajetória de Isadora como exemplo de iniciativa, persistência e superação de dificuldades, estabelecendo uma relação com o trabalho de acolhimento e fortalecimento de mulheres desenvolvido pela Fundação Paulo Cavalcanti no Subúrbio Ferroviário de Salvador.

Isadora, que participou de atividades do projeto Marsúpio durante sua passagem pela Bahia, identificou pontos de convergência entre as iniciativas realizadas no Brasil e nos Estados Unidos, especialmente na valorização da educação cidadã e da independência financeira das mulheres.

Redes de apoio para transformar vidas

Para Isadora, o empreendedorismo feminino vai além da abertura de empresas. Envolve autoestima, conhecimento, autonomia e a construção de ambientes em que as mulheres possam compartilhar experiências e encontrar apoio para superar dificuldades.

“Eu honro muito o lugar de onde vim, Salvador sempre estará no meu coração. Mas a mudança precisa começar dentro de nós. Se o ambiente em que você está não te cabe mais, não tenha medo. Vá fazendo um dia após o outro, construa redes de apoio e busque novos espaços”, aconselhou.

Ao encerrar o episódio, Paulo Cavalcanti reforçou que histórias como a de Isadora demonstram a importância da participação coletiva e do fortalecimento das organizações da sociedade civil como caminhos para ampliar oportunidades e promover a transformação social.

Assista ao episódio completo do podcast É da Nossa Conta! com Isadora Raymond aqui