É da Nossa Conta: Paulo CEO defende participação empresarial nas decisões de Ilhéus

Por: Fundação Paulo Cavalcanti

02/10/2026

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Presidente da ACII conversa com Paulo Cavalcanti sobre associativismo, representação da classe produtiva, participação nos conselhos municipais, infraestrutura e desenvolvimento regional

A participação da classe produtiva nas decisões que influenciam o desenvolvimento das cidades foi um dos principais temas do episódio 111 do É da Nossa Conta, lançado na segunda-feira (28). O presidente da Associação Comercial e Industrial de Ilhéus (ACII), Paulo Sérgio dos Santos, o Paulo CEO, conversou com Paulo Cavalcanti, presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Bahia (FACEB) e da Fundação Paulo Cavalcanti, sobre o papel das entidades empresariais na construção de soluções para os municípios e na representação de quem produz.

À frente da ACII no biênio 2025–2027, Paulo CEO destacou que essa participação está presente na própria história da entidade. Segundo ele, ainda no período de expansão da economia cacaueira, empresários de Ilhéus participaram da articulação de investimentos que ajudaram a estruturar o município.

“O nosso aeroporto foi articulação dos empresários da época. O distrito industrial de Ilhéus, onde temos as maiores moageiras do país e o polo de informática, tudo foi articulação da nossa instituição”, afirmou. Para ele, essa trajetória demonstra uma compreensão que precisa ser recuperada. “A gente percebe, infelizmente, que o pessoal dos mais antigos tinha uma consciência maior do poder do associativismo.”

A reflexão levou Paulo Cavalcanti a questionar em que momento empresários e cidadãos passaram a transferir para o poder público responsabilidades que anteriormente também eram assumidas pela sociedade organizada.

“Existia no empresário o senso de pertencimento, de unidade e de responsabilidade. Eu queria entender por que e onde nós permitimos a transferência de responsabilidade para o Estado”, provocou. Segundo Cavalcanti, parte da classe produtiva passou a considerar que sua responsabilidade terminava dentro da própria empresa. “Começamos a olhar exclusivamente para os nossos próprios umbigos e achar que a nossa responsabilidade era só da porta para dentro.”

Paulo CEO defendeu uma relação em que poder público, setor produtivo e sociedade civil participem da construção das prioridades locais. “O poder público nada mais é do que quem escolhemos para gerir a coisa pública em benefício de todos, mas temos que estar aliados a ele para ajudá-lo a ser assertivo nos conselhos municipais e nas discussões”, disse.

Participação nas decisões municipais

Em Ilhéus, essa atuação ocorre também por meio dos conselhos municipais. De acordo com Paulo CEO, seis cadeiras são atualmente ocupadas por diretores da ACII, com participação em instâncias relacionadas a áreas como meio ambiente, cidade e fazenda.

“Buscamos uma mediação e um diálogo saudável para defender quem produz, sem desestimular o progresso nem negligenciar os cuidados ambientais”, explicou. “O prefeito não tem poder pleno e não sabe de tudo. Se a sociedade civil não levar as demandas, ele termina errando. Quando ele divide as decisões com os empresários e a cidade, ele é muito mais assertivo.”

Paulo Cavalcanti associou essa presença ao exercício da democracia participativa. “O prefeito é o administrador do município, o ‘síndico do condomínio’ chamado Ilhéus. E nós precisamos participar das reuniões de condomínio para dizer ao síndico o que queremos.”

A representação da classe produtiva também ganhou espaço na conversa. Cavalcanti defendeu maior participação dos empresários nas associações comerciais e argumentou que a atuação coletiva amplia a capacidade de apresentar demandas e influenciar discussões que atingem diretamente empresas, trabalhadores e a economia.

“É preciso que os empresários nos municípios se associem às suas entidades locais”, afirmou. Para ele, a representação não deve ser entendida como defesa de privilégios. “Não existe empresa sem trabalhador. O que precisamos são representantes que acreditem na segurança jurídica, na eficiência dos serviços públicos e nos valores éticos e morais.”

Infraestrutura e desenvolvimento

A situação da infraestrutura de Ilhéus apareceu como exemplo prático dessa atuação. Entre as pautas discutidas estão as condições do aeroporto, o Porto de Ilhéus e os obstáculos logísticos enfrentados pelo município e pelo Sul da Bahia.

Cavalcanti citou reunião realizada com representantes políticos, empresariais e do setor aeroportuário para discutir melhorias no aeroporto de Ilhéus. Segundo ele, estão em debate medidas para aperfeiçoar as condições de pouso e decolagem por instrumentos e reduzir limitações enfrentadas em operações noturnas ou durante períodos de chuva.

Paulo CEO lembrou que a própria história econômica da cidade demonstra a relação entre organização empresarial e infraestrutura. Ele citou a participação dos produtores de cacau na abertura de estradas e na implantação de estruturas portuárias e recordou o envolvimento de lideranças empresariais na construção do Porto do Malhado.

A conversa também abordou os desafios enfrentados atualmente pelo comércio local diante do avanço do mercado digital e das dificuldades financeiras de pequenos negócios. Segundo o presidente da ACII, a entidade mantém diálogo com o Sebrae e a CDL para buscar alternativas de apoio aos empresários, incluindo capacitação e negociação de dívidas.

Associativismo como construção coletiva

Ao longo do episódio, os dois presidentes defenderam a recuperação de uma cultura associativista baseada não apenas na defesa de interesses empresariais, mas na participação em questões relacionadas ao desenvolvimento das cidades.

Paulo Cavalcanti lembrou que as primeiras associações comerciais surgiram justamente da organização de empresários em torno de necessidades que ultrapassavam seus próprios estabelecimentos. Para ele, essa lógica permanece atual diante dos desafios enfrentados pela classe produtiva.

Paulo CEO resumiu essa visão ao defender que o empresário rompa o isolamento e compartilhe experiências dentro das entidades.

“O associativismo é fundamental. O empresário que se isola deixa de desfrutar de conexões, networking e aprendizado. Quando dividimos as cargas, tudo fica mais leve e a cidade, a região e o país crescem com mais sabedoria”, afirmou.

Para Cavalcanti, fortalecer as associações nos municípios é também uma maneira de transformar demandas dispersas em representação organizada. A mensagem atravessou todo o episódio: desenvolvimento econômico e participação cidadã não são tarefas exclusivas do Estado, mas dependem também de uma sociedade civil capaz de se organizar, apresentar propostas e participar das decisões que determinam os rumos das cidades.