No episódio 107 do podcast É da Nossa Conta!, lideranças associativistas de Eunápolis, Macaúbas e Seabra mostram como a organização empresarial pode fortalecer negócios, ampliar a representação e ajudar a construir soluções para os municípios
O associativismo como ferramenta para fortalecer empreendedores e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento dos territórios esteve no centro do novo episódio do É da Nossa Conta!, apresentado por Paulo Cavalcanti, presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Bahia (FACEB), e lançado nesta segunda-feira, 31 de agosto.
O programa reuniu Pita Tigre, presidente da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Eunápolis (ACIASE), Will Santos, presidente da Associação Comercial e Industrial de Macaúbas (ACIMAC), e Jussileno Duarte, presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Seabra (ACISE).
A conversa percorreu experiências de diferentes regiões da Bahia e mostrou associações comerciais atuando para além da representação empresarial: na capacitação, formalização de negócios, articulação com o poder público e busca de soluções para questões que interferem diretamente na economia e na vida das cidades.
Para Paulo Cavalcanti, esse movimento depende da compreensão de que oempresário também possui função social e responsabilidade sobre o ambiente no qual está inserido. “O que você vai receber em troca dentro do associativismo é representatividade, defesa dos seus interesses”, afirmou, ao defender a participação dos empreendedores nas entidades locais.
Da informalidade à participação
Em Eunápolis, Pita Tigre chegou ao associativismo por meio do empreendedorismo feminino. A experiência com o Realiza Mulher, movimento que reúne cerca de 140 mulheres, mostrou na prática como a organização coletiva pode modificar trajetórias.
“Vi com os meus próprios olhos mulheres abrindo seu CNPJ, saindo da informalidade, se sentindo pertencendo àquele movimento, acreditando”, relatou Pita. Agora à frente da associação comercial, ela pretende levar essa experiência para uma atuação mais ampla, envolvendo comércio, serviços, indústria e agropecuária.
Um dos exemplos citados é a situação de produtores rurais da região que precisam custear intervenções em estradas para conseguir escoar a produção. Para Pita, questões como essa mostram que a entidade empresarial também deve participar do debate sobre infraestrutura e desenvolvimento local.
Formação para fortalecer os territórios
Em Macaúbas, Will Santos conheceu o associativismo ainda nos núcleos de jovens empreendedores, passou pela diretoria de marketing e chegou à presidência da entidade. Hoje, o trabalho alcança também municípios como Boquira e Ibipitanga, com perspectiva de expansão para outras cidades da região do Vale do Paramirim.
“A associação comercial não é formada pelo presidente, pela diretoria, é formada pelo todo. Força a gente consegue num todo”, destacou Will. Para ele, pequenos produtores rurais, comerciantes e prestadores de serviços precisam reconhecer sua condição de empreendedores e perceber a organização coletiva como caminho para ampliar oportunidades.
Seabra apresenta outro exemplo dessa articulação. A associação comercial pretende ampliar sua estrutura com a construção de um auditório para 500 pessoas, destinado a capacitações, encontros empresariais e convenções. A proposta é transformar a sede em um espaço capaz de atender não apenas o município, mas também empreendedores da região.
Representatividade que chega à cidade
A experiência de Seabra também demonstra como as associações acabam sendo chamadas a participar de problemas que ultrapassam os limites das empresas. Jussileno Duarte citou situações em que a entidade é procurada pela própria população para articular soluções junto ao poder público.
“A gente não tem poder de polícia, mas a gente tem poder de articulação. A gente vai lá, negocia, chama o prefeito, chama os demais secretários, bota todo mundo na mesma sala, sai dali uma solução boa”, explicou.
Para Jussileno, o resultado dessa mobilização aparece no fortalecimento da própria economia. “Diretamente não vai ganhar nada, mas indiretamente vai ganhar muita coisa: vai girar a economia, vai capacitar as empresas locais”, afirmou ao explicar o que o empresário obtém ao participar de uma associação.
É justamente nessa passagem do interesse individual para a construção coletiva que Paulo Cavalcanti situa a relação entre associativismo e consciência cidadã. “É associativismo, é a sociedade civil organizada diretamente, é você coletivamente para expressar uma maioria de vontade”, afirmou.
Ao reunir empresários, produtores e lideranças em torno das necessidades de cada território, as entidades ampliam a capacidade de diálogo com o poder público e transformam demandas isoladas em pautas comuns, fazendo do desenvolvimento local uma responsabilidade compartilhada.
Assista à integra do episódio 107 do podcast É da nossa conta! AQUI.