Em episódio do podcast “É da Nossa Conta”, o diretor de Administração e Finanças do SEBRAE Bahia fala sobre a importância da união empresarial e da consciência tributária para transformar a realidade econômica do estado.
O episódio 102 do podcast “É da Nossa Conta”, que foi ao ar na segunda-feira (27), trouxe uma discussão profunda sobre os pilares que sustentam o crescimento econômico: o trabalho, a probidade e a economia. O anfitrião Paulo recebeu Vitor Lopes, economista e diretor do SEBRAE Bahia, para uma conversa que uniu a trajetória histórica das associações comerciais com as estratégias modernas de fomento ao empreendedorismo.
A fração ideal de poder de um empresário isolado é muito pequena
Um dos pontos centrais da conversa foi a necessidade de o empresário brasileiro superar a cultura do isolamento e participar ativamente de entidades de classe. Paulo destacou que menos de 10% das empresas no Brasil participam de suas associações, número que cai para menos de 5% no Nordeste. Ele enfatizou que a participação coletiva é a única forma de ser ouvido nas instâncias de poder.
“O empresário precisa adquirir consciência de cidadania para que ele se associe. Ele precisa entender o que é um Estado Democrático de Direito, precisa compreender que ele só vai ser ouvido, ter força e voz se ele estiver numa sociedade civil organizada”, afirmou Paulo.
Vitor Lopes complementou essa visão, pontuando que o associativismo serve como ponte para que pautas estratégicas cheguem ao poder público de forma legítima e robusta.
“O associativismo é uma forma de você ter representatividade não só na sociedade, mas levar essas pautas tão importantes do meio empresarial para o poder público também (…) através de conexão com parlamentares, com deputados e senadores. Buscar realmente o desenvolvimento através do empreendedorismo”, destacou Vitor.
SEBRAE atuando “da porta para dentro e da porta para fora”
A diretoria do SEBRAE Bahia tem intensificado a presença física nas dez regionais do estado, buscando ouvir as lideranças locais de municípios como Vitória da Conquista, Juazeiro e Barreiras. Vitor explicou que a atuação da entidade é sistêmica, focando tanto na gestão interna das empresas quanto no ambiente macroeconômico.
“A gente tem o Sebrae trabalhando da porta para dentro da empresa, vamos dizer assim, que é toda a parte de qualificação empresarial (…) mas temos a parte para fora que seria estar tocando infraestrutura, logística, ambiente de negócio, legislação, tudo que possa ser mais favorável para o empreendedorismo”, explicou o diretor.
O desafio da informalidade e o projeto de nação
A discussão também abordou a alarmante taxa de informalidade na Bahia, que atinge 54,7% dos postos de trabalho. Para os participantes, a formalização passa obrigatoriamente pela educação cidadã e pela transparência tributária, exemplificada pelo projeto “Impostonto”, que visa mostrar ao consumidor o valor exato dos impostos embutidos em cada produto.
Vitor Lopes defendeu que o futuro do Brasil não é fruto do acaso, mas de uma construção coletiva que exige planejamento de longo prazo e mudança cultural.
“As transformações tem uma base material clara (…) mas tem uma base também subjetiva que depende dessa conscientização (…) é algo que você demora um pouco para se concretizar, mas é algo fundamental para você construir o futuro”, disse Vitor Lopes.
Ao encerrar o encontro, Paulo reforçou o compromisso com a transformação social através da participação ativa de cada cidadão e empresário.
“O futuro do Brasil é da nossa conta, e ele começa agora”, finalizou Paulo.