No episódio do podcast exibido na segunda-feira, 22 de junho, a vice-presidente da Associação Comercial da Bahia debateu com Paulo Cavalcanti sobre os desafios dos micro e pequenos negócios, a competitividade da economia brasileira, a consciência cidadã e o papel do associativismo na formulação de políticas públicas.
O fortalecimento do associativismo empresarial, a crescente liderança feminina nas entidades representativas e os desafios enfrentados pelos micro e pequenos empreendedores brasileiros deram o tom do 97º episódio do podcast É da Nossa Conta!. Convidada de Paulo Cavalcanti, a empresária e vice-presidente da Associação Comercial da Bahia, Rosemma Maluf, defendeu maior participação da sociedade organizada na formulação de políticas públicas e alertou para os impactos da elevada carga tributária, da concorrência internacional e da falta de competitividade da economia brasileira.
Ao longo da conversa, ambos sustentaram que o desenvolvimento econômico depende de uma sociedade civil mais organizada e participativa, capaz de influenciar a formulação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da classe produtiva.
Isonomia tributária e competitividade
Entre os principais temas abordados esteve a chamada “taxa das blusinhas” e seus impactos sobre a indústria e o comércio nacional. Rosemma destacou que cerca de 99% das empresas brasileiras são micro e pequenos negócios, responsáveis pela maior parte da geração de empregos no país, e afirmou que a desigualdade tributária compromete diretamente sua competitividade.
“Com o fim da taxa das blusinhas [isenção], o que acontece é uma concorrência desleal. Nós não estamos falando em uma ação protecionista, mas em dar condições de competitividade igual tanto para quem produz nacionalmente como para quem está produzindo fora”, afirmou.
Ao comentar o chamado “Custo Brasil”, Paulo Cavalcanti comparou a realidade tributária brasileira a uma partida de futebol desigual.
“Imagine que entra agora para jogar a seleção brasileira contra a China. Só que a seleção brasileira entra com uma mochila de 60 kg nas costas. Nós, brasileiros, sabemos produzir o tecido, a roupa, o tênis… só que nós temos que colocar uma carga nas nossas costas em torno de mais de 60% do valor da mercadoria.”
Segundo os debatedores, mais do que discutir a tributação sobre produtos importados, o país precisa construir um ambiente de negócios capaz de garantir igualdade de condições para quem produz, investe e gera empregos no Brasil.
Associativismo como instrumento de transformação
Um dos principais eixos do episódio foi a defesa do associativismo empresarial como mecanismo legítimo de representação da classe produtiva.
Paulo Cavalcanti argumentou que empresários isolados possuem pouca capacidade de influenciar decisões públicas e que somente a organização coletiva permitirá maior representatividade junto aos Poderes constituídos.
“O Brasil só vai mudar quando acreditarmos que é da nossa conta. A gente não pode ficar transferindo responsabilidade. É bater no peito e assumir o que eu chamo de ‘eu responsável’, ‘eu atitude’, ‘eu transformador’.”
Rosemma reforçou que participar de entidades empresariais não significa fazer política partidária, mas exercer uma ação política em defesa do desenvolvimento econômico e das comunidades.
Segundo ela, a atuação associativa permite construir diálogo com o poder público para buscar soluções concretas para problemas como infraestrutura, mobilidade, iluminação, segurança e ambiente de negócios, beneficiando diretamente empresas, trabalhadores e a população.
Mulheres empreendedoras e igualdade de oportunidades
O papel feminino também ocupou parte importante da conversa. Rosemma Maluf destacou o avanço das mulheres na liderança empresarial e nas entidades representativas, mas observou que ainda persistem obstáculos estruturais para quem empreende.
Para ela, o debate não deve ser sobre privilégios, mas sobre igualdade de oportunidades.
“As mulheres feministas como eu buscam oportunidades iguais. O nosso ponto de partida é diferente. Eu sou mulher, sou mãe, sou esposa, tenho casa, família… e esse tempo eu deixo de me dedicar ao meu negócio.”
Ela defendeu políticas públicas voltadas ao empreendedorismo feminino, maior acesso ao crédito e ampliação da presença das mulheres nas entidades empresariais e nos espaços de decisão.
Consciência cidadã e desenvolvimento
Na parte final do episódio, Paulo Cavalcanti e Rosemma Maluf ampliaram o debate para além do ambiente empresarial, discutindo o conceito de consciência cidadã, a qualidade dos serviços públicos e a necessidade de maior participação da sociedade na definição dos rumos do país.
Os dois defenderam que desenvolvimento econômico, educação, geração de empregos e fortalecimento institucional são temas inseparáveis e que a valorização da classe produtiva deve ocupar posição central na agenda nacional.
Rosemma chamou atenção para a necessidade de resgatar o verdadeiro conceito de serviço público.
“Nós não temos uma saúde pública e não temos uma educação pública porque o que nós temos hoje é uma educação para quem não tem dinheiro para pagar uma escola privada. O serviço público hoje não é para todos. O senso de público é o senso de que é de todos.”
Ao encerrar o episódio, Paulo Cavalcanti reforçou a mensagem que dá nome ao podcast: a transformação do Brasil depende da participação ativa dos cidadãos e da união da sociedade civil organizada em torno de pautas estruturantes para o desenvolvimento nacional.
O episódio 97 do podcast É da Nossa Conta! está disponível nas plataformas digitais e no canal oficial do programa.